SAÚDE MENTAL E UNIVERSIDADE

 

Mesa reforça importância de se pensar na saúde da vida acadêmica estudantil

Na quinta-feira (22/10) foi realizada a mesa-redonda com o tema Saúde Mental na Universidade, atividade que fez parte da Primeira Conferência UnB Promotora de Saúde realizada pela Diretoria de Atenção à Saúde Universitária (DASU/DAC/UnB). A mesa foi coordenada pela Professora Doutora em Psicologia Cristineide França. 

A palestrante Doralice Gomes de Oliveira, da Gerência de Práticas Integrativas em Saúde da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES/DF) explicou sobre a trajetória da implementação da Terapia Comunitária Integrativa (TCI) na UnB. Desde a realização de rodas de conversa à criação da disciplina de TCI, o objetivo sempre foi formar profissionais capazes de olhar para si e de escutar o outro livre de julgamentos.

Helena Augusta apresentou um estudo realizado em 2018 na UnB sobre a saúde mental dos seus estudantes e o atendimento de suas necessidades. Segundo a pesquisa, os estudantes – principalmente aqueles em final da vida acadêmica – se sentem desmotivados, sem autonomia e controle do próprio tempo, e alguns até com ideações suicidas. Helena, então, sugeriu a reflexão: 

“O que a vida acadêmica promove? A cooperação, ou a competitividade? A autonomia, ou a submissão? A empatia, ou a alienação? Para haver esse progresso e a real implementação da Universidade Promotora de Saúde, é de suma importância que haja a comunicação não violenta, a empatia, o reconhecimento do outro enquanto ser humano, não enquanto uma ‘máquina acadêmica’”.

De acordo com Maria Aparecida Gussi, professora adjunta da Universidade de Brasília, o afastamento social já era uma realidade na Universidade de Brasília antes da disseminação do novo coronavírus. Para Gussi, o sistema de créditos que era usado anteriormente na universidade “gerava competitividade e dificultava a aproximação, não abrindo espaço para a coletividade”. Ainda criticou o sistema de orientação em vigor que, de acordo com ela, é focado somente no âmbito acadêmico, sem representar grande auxílio para a realidade psicológica ou emocional dos alunos:

“A tecnologia e sua automação torna escassa a conexão entre aluno e professor, uma vez que esse estudante pode trancar o semestre e o professor não fica sabendo dessa decisão; isso contribui para a sensação de abandono emocional e psicológico da universidade para com seus estudantes.” 

Como estratégia para solucionar essa questão, surge a criação do convênio da UnB com instituições externas para apoio psicológico ao ambiente acadêmico e a vinculação da automação do estudante às relações humanas. 

Por fim, o Decano do Decanato de Assuntos Comunitários (DAC/UnB), professor Ileno Costa, falou sobre a Fenomenologia da Crise Psíquica, complementando o que foi dito anteriormente e mostrando a importância do cuidado da saúde mental. Que não se vale somente da saúde psicológica, mas da saúde física, das relações humanas e até da espiritualidade.

A discussão perpassou por questões muito presentes na universidade, como o uso de drogas – tanto lícitas quanto ilícitas –, (dispensando a velha política ‘punitivista’ e procurando e seu entendimento como parte do sofrimento psíquico) e questionamentos sobre a inclusão da discussão sobre saúde mental nos cursos considerados mais “fechados” como os de exatas, por exemplo.