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FS conversa discute saúde dos professores universitários

September 25, 2017 10:04 , by Ádria Albarado - | No one following this article yet.
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Na última semana, professores da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (FS/UnB) tiveram a oportunidade de dialogar sobre a saúde dos docentes universitários. A iniciativa foi do projeto FS conVersA, cujos encontros ocorrem mensalmente com a proposta de debater temas relacionados ao mundo acadêmico e à sociedade como um todo.

A roda de conversa contou com a mediação da psicóloga da Coordenadoria de Atenção à Saúde e Qualidade de Vida (CASQV) Laene Pedro Gama, da Diretoria de Saúde e Qualidade de Vida no Trabalho (DSQVT) do Decanato de Gestão de Pessoas da UnB (DGP/UnB). Cerca de 20 pessoas, entre docentes e estudantes de pós-graduação, participaram da atividade.  

Maria Fátima de Sousa, diretora da FS/UnB, pontuou que se trata de uma agenda discutida e cobrada por toda a comunidade acadêmica. A professora criticou a produtividade excessiva exigida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), bem como a métrica utilizada para mensurar o valor dos docentes no Brasil.

Segundo ela, valer por pontos, estar sempre preocupado com publicações, sem ter tempo para refletir sobre o verdadeiro sentido de estar numa instituição de formação, é perverso com os professores universitários. “Essa classificação das pessoas como melhores ou piores conforme a produção de artigos é perversa. Percebo professores que investem força e tempo de trabalho em ações de extensão e gestão acadêmica e não conseguem pontuações para o lattes”.

Laene também destacou a ênfase da cobrança técnica e a não valorização de atividades “não pontuáveis” e comentou dados do estudo epidemiológico realizado pela CASQV acerca da saúde do servidor da UnB no triênio 2013-2015. O estudo usa informações sobre afastamentos do Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos do Governo Federal (Siape).

Conforme o estudo, os docentes são os servidores que apresentam o maior número acumulativo de profissionais afastados por longo período de adoecimento. Os principais motivos que levam a esses afastamentos estão relacionados à saúde mental e comportamental, como depressão e transtorno depressivo, seguido de dores lombares e articulares. Em terceiro lugar, estão as recuperações cirúrgicas e, em quarto, câncer de mama.

Ainda conforme o estudo, no ano de 2014, os locais de maior adoecimento foram o Hospital Universitário de Brasília (HUB) e o Decanato de Gestão de Pessoas (DGP). Dentre as faculdades, a de Ceilândia aparece em primeiro lugar. A de Medicina esteve no quinto e a FS, em oitavo. Durante a roda, os participantes observaram que os lugares que deveriam cuidar, são os mais adoecidos, bem como a pouquíssima ou nula participação dos docentes em ações de promoção e cuidado da saúde.

Aldira Domingues, professora da FCE e membro da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub) citou o exemplo da baixa procura pela sala de pilates disponibilizada pelo Sindicato. A justificativa dos docentes para não procurarem ou praticarem tais cuidados foi unânime: falta de tempo. A professora Marileusa Chiarello exemplificou a realidade do que é ser professor universitário comparando a situação dela quando atuava no mercado de trabalho privado. “Era uma loucura, mas apenas de segunda a sexta. Aos finais de semana era como se deixássemos os problemas e o trabalho para começar tudo novamente na segunda-feira. Como professora não, pois trabalhamos sete dias da semana, 24 horas por dia”. Já a professora Nailê Teixeira, do Departamento de Odontologia, tornou-se docente da FS há apenas seis meses e disse estar assustada com as cobranças. “Tenho que ser muito boa em todos os campos e cheguei a repensar algumas questões pessoais na minha vida, como a decisão de ser mãe numa realidade como essa”.

Aldira Domingues aproveitou as discussões da roda de conversa para informar que o Sintfub realizará uma pesquisa proposta pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) sobre adoecimento dos docentes. A previsão é que comece no início de novembro.

Dais ressaltou a importância de propor alternativas e dispositivos para a promoção, a prevenção e na proteção dos servidores da UnB. A Coordenadoria de Atenção à Saúde e Qualidade de Vida (CASQV) do DGP conta com uma equipe multiprofissional e atende servidores da UnB. Conforme a psicóloga do setor, Laene Gama, a procura pelos atendimentos da equipe é baixa. Todavia, os que demandam os cuidados, geralmente estão gravemente adoecidos.

Laene destaca alguns pontos identificados por meio dos atendimentos. O adoecimento tem sido causado, principalmente pela competitividade excessiva entre pares, a falta de transparência nos critérios para progressão, conflitos éticos como por exemplo, ter que executar tarefas que nada têm a ver com a docência e, principalmente, o embate entre lecionar e fazer pesquisas. Tais questões, conforme a psicóloga, merecem atenção urgente pela gestão universitária e, principalmente, pelos próprios professores.

Muitos participantes da roda disseram nunca ter tido conhecimento quanto ao estudo e nem quanto as ações da CASQV e questionaram o porquê. A psicóloga confessou que a ineficácia da comunicação na Universidade é generalizada e pontuou que os chamados para atividades, atendimentos e cursos oferecidos pela Coordenadoria são feitos pelo InfoUnB, responsável pela divulgação em rede na UnB. Ela lamentou que, entretanto, pouquíssimas pessoas acessam os emails institucionais e que a CASQV tem conversado com o Centro de Processamento de Dados e Informativa (CPD/UnB) para encontrar solução para esse ruído de comunicação.

A roda discutiu ainda a questão da progressão dos docentes. Conforme o debate, os professores são os servidores federais que mais demoram – 20 anos – para alcançar o teto salarial, o que os deixa ainda mais vulneráveis ao adoecimento. Para professora Fátima, os docentes precisam fazer uma discussão orgânica e sistemática para levar a questão ao âmbito nacional e realizar enfrentamento político junto ao Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão e o Congresso Nacional. “Isso é política governamental e precisamos nos mobilizar para avançar nessa questão”. Por fim, a diretora da FS solicitou apoio da professora Aldira, membro do Sintfub, para levar o tema à agenda da Andes.

 

SOBRE O FS CONVERSA - A Faculdade de Ciências da Saúde promove mensalmente uma roda de conversas sobre temas de interesse da comunidade acadêmica. Os primeiros temas discutidos foram relativos à conferência livre de preparação da II Conferência Nacional da Saúde das Mulheres. Durante a semana de acolhimento foi a vez de conversar sobre as saídas democráticas para a crise política brasileira. Passada a roda de setembro, Saúde do professor universitário, em outubro será abordado o tema “Saúde, Migração e Direitos Humanos”.

 

 

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