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FS se despedirá de Dona Marly nesta terça-feira, 3

July 2, 2018 16:09 , by Ádria Albarado - | No one following this article yet.
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Dona marly.fw
Dona Marly descansou na tarde deste domingo. Muito querida por todos desde a época que as Faculdades de Ciências da Saúde e de Medicina ainda funcionavam juntas no ICC, a partida da senhora que cativava a todos com seu sorriso e coração bondosos deixará saudades para muitos.

O velório será realizado nesta terça-feira, 3, a partir das 9h, na Capela 6 do Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul. Os presentes que se sentirem à vontade, poderão compartilhar histórias marcantes que viveram com Dona Marly. O sepultamento está marcado para às 15h30. Pede-se a gentileza de, se possível, vestirem roupas de cores claras.

Em 2014, a FS/UnB, por meio de ações do Comunica FS começou uma série de homenagens a personagens da Faculdade cujas histórias se confundiam com a da própria instituição. Deixamos aqui o registro realizado pelo sanitarista, João Armando Alves, para lembrar o momento vivido, alegre e de forma emocionante por ela.

 

 

COMUNICA FS: As personagens reais da FS dos nossos sonhos

O ComunicaFS, com o propósito de contar aos poucos a História da Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade de Brasília, vai reunir relatos, entrevistas e imagens sobre essa importante instituição pública de ensino e aprendizagem. Atualmente, vem se intensificando o movimento no sentido de promover na FS um ambiente cada vez mais saudável e acolhedor para todos que circulam diariamente por ela.

A primeira personagem que vai nos ajudar a compor o cenário da FS, chama-se Marly Pereira Ribeiro da Silva, nasceu em Campos dos Goytacazes/RJ, 79 anos, completará 80 anos em abril de 2015. Dona Marly passou mais da metade da sua vida em meio aos livros científicos da área da saúde. Seu marido Herval Ribeiro, era vendedor de livros no HUB, posto assumido pelo filho Herval Ribeiro Jr, falecido há 6 anos.

Essa senhora já desempenhava seu ofício na Faculdade de Medicina, quando ainda funcionava no ICC. Instalou-se na FS junto com sua inauguração no final da década 60. Teve outras duas filhas. Heloísa, que cursou Enfermagem na FS, era servidora do Banco do Brasil, falecida há um ano e quatro meses, deixando uma filha, Lídia, formada em Letras (inglês e francês) na UnB, hoje com 29 anos, sua única neta. A outra filha, Denise, que dividia com ela os dois espaços alugados na FS, o balcão de livros e o box da copiadora, sua companheira por 28 anos, faleceu há pouco mais de dois meses.

Quando me apresentei à Dona Marly para propor a entrevista, encontrei a simpática senhora ainda muito abalada por suas irreparáveis perdas, mas disposta a conversar e dedicada às suas atividades em meio aos livros e nos serviços da copiadora. Ela mora na SQS 415 com sua outra “neta”, a Benedita. Uma cadelinha de 11 anos, fruto do cruzamento da raça cocker com vira-lata.

Dona Marly anda de ônibus todas as vezes que sua neta Lídia não pode trazê-la ao trabalho, que considera o maior estímulo da sua vida. Conta que tem ótima saúde e que nunca teve nenhum problema mais grave. Comenta que por conta da internet, a venda de livros não é mais como antes e sobrevive do pouco que consegue vender, complementado por uma pensão deixada pela filha Heloísa.

Perguntei sobre a rotina da FS e se tinha algumas histórias curiosas para nos contar. Mas não sei se por discrição, ela disse que estas mais de quatro décadas se passaram tranquilamente, acompanhando o ir e vir de professores, estudantes e servidores, mantendo ótimo relacionamento com todos. Diz que todo mundo fala com ela, só não os mais novos, porque ainda não a conhecem.

Dos primeiros nomes com quem teve contato, cita os professores Sobral, do curso de Medicina e, Volnei Garrafa, coordenador da Cátedra Unesco de Bioética. “Conheci Dona Marly e seu falecido esposo logo que cheguei a Brasília, como professor do Laboratório de Morfologia e Morfogênese do Instituto de Ciências Biológicas da UnB, em julho de 1973; há  41 anos portanto… Eles ficavam o dia inteiro no subsolo sul do ICC (Minhocão) vendendo seus livros, com a mesma atenção e cortesia com que D.Marly trata até hoje todas as pessoas que a procuram. Naquela época funcionavam no local todos os Laboratórios de aulas práticas dos cursos de graduação do Instituto de Ciências Biológicas e da Faculdade de Ciências da Saúde (que na ocasião contava unicamente com o curso de Medicina). Os laboratórios eram destinados às aulas de histologia geral e animal e embriologia (pelas quais eu era responsável), biologia geral, genética, fisiologia, farmacologia, zoologia, etc. Com a construção do prédio atual da FS, onde estamos, Dona Marly se mudou para cá e está até hoje entre nós. Trata-se de uma das pessoas mais abnegadas e corretas que já conheci em toda minha vida. Nos últimos anos teve perdas familiares pesadíssimas, mas apesar de sua profunda tristeza, jamais sucumbiu e segue na sua luta diária pela sobrevivência, recebendo seus clientes e amigos com a mesma ternura de sempre. Tenho muito orgulho de ser amigo da Dona Marly há tantos anos”, conta Volnei.

A Vice-Diretora da FS, professora Karin, também fala do seu convívio com D. Marly: “Tive o prazer de conhecer a D. Marly, o marido, os filhos e a neta, a alguns pares de anos. O que me vem à cabeça quando penso na D. Marly é uma frase de Madre Teresa de Calcutá: ‘As palavras de amizade e conforto podem ser curtas e sucintas, mas seu eco é infindável”. Em todos os momentos que passei dentro da Faculdade de Ciências da Saúde ela sempre esteve presente com seu carinho e atenção para com todos. Obrigada D. Marly,” Karin Savio.

 

Comunica FS,

João Armando Alves,

Brasília-DF, 7 de outubro de 2014.